Entrevista a presidente do URIZUN - Carina Inafuko

O URIZUN – Círculo de Ex-bolsistas e Jovens da Associação Okinawa Kenjin do Brasil é um grupo formado não somente por ex-bolsistas, como também por pessoas que se interessam pela riquíssima cultura okinawana. Além de auxiliar nas atividades do kenjinkai, o URIZUN também tem como objetivo divulgar a Cultura de Okinawa e as Bolsas de Estudos e Estágios oferecidas pela mesma.

Trabalhando voluntariamente no grupo desde que voltou de Okinawa (2004) e há cinco anos ocupando o cargo de presidente do URIZUN, Carina Inafuko, explica os principais tipos de bolsa de estudo e também relata sua experiência como bolsista e líder do grupo.

Filha do casal Simoo Inafuku e Michiko Inafuko (in memorian), Carina Sue Inafuko, 30 anos, é sansei e possui ascendência na cidade de Nanjo-shi (antiga Sashiki-cho), tanto por parte de pai, quanto de mãe.

Formada em Fisioterapia, atualmente cursando sua segunda faculdade (Administração de Empresas), Carina trabalha na Coordenação em equipe de Fisioterapia e também arruma tempo para se dedicar às atividades do URIZUN.

Utiná Press: Quando você foi bolsista de Okinawa? Como ficou sabendo da bolsa?

Carina Inafuko: “Fui bolsista pelo governo de Okinawa (Kenpi Ryugaku) na Universidade de Ryukyu em 2003/2004. Fiquei sabendo sobre estes programas de Bolsas de estudos, através de uma amiga de faculdade que estava prestando para uma outra província em 2002. Ela me disse que certamente haveria bolsas para a província de meus avós... Sempre tive muita curiosidade sobre a origem dos meus avós. Todos os meus avós faleceram muito cedo, e infelizmente não pude conhecê-los e ter esta maravilhosa e rica experiência familiar.

Além dos interesses pessoais daquela época, o que também me levou a concorrer a bolsa foi que meu campo de pesquisa era sobre a Terceira Idade, e Okinawa era um dos lugares de maior longevidade do mundo. Perfeito! Foi a junção do ‘útil ao agradável’! Então, enquanto todos os meus amigos formandos estavam estudando para as provas de especialização, eu estava estudando Nihongo!”

UP: Antes de ir a Okinawa, você tinha interesse pela cultura e tradições okinawanas? E depois que voltou o que sentiu?

Carina: “Sim! Antes eu tinha uma curiosidade sobre de onde minha família veio, costumes, butsudans, etc... Mas as ilhas de Okinawa são mágicas! Agora a minha curiosidade não é apenas pelas minhas origens, mas sim por Okinawa e sua sabedoria”.

UP: Você pratica ou praticou alguma atividade relacionada à cultura de Okinawa (minyô, odori, taiko, bingata, etc)? Fale um pouco a respeito.

Carina: “Meu pai sempre gostou muito das artes de Okinawa, mas nunca nos obrigou a nada, pois ele sabia que a arte cativa naturalmente. Então somente durante a adolescência fui procurar aprender Sanshin com o Sensei Oyakawa. Anos depois, no início da faculdade fui aprender Buyô com a Sensei Yoko Gushiken, mas foi por pouco tempo devido aos estudos. Já em Okinawa tive a oportunidade de aprender Oodaiko de Okinawa, num grupo chamado Mukaitodaiko de Kitanakagusuku. Atualmente tento aprender Sanba (espécie de castanhola) e Ku-cho- (Kokyû)”.

UP: Quais dicas que você daria a quem tem interesse em se candidatar a bolsa de estudos?

Carina: “O candidato deve estar atento aos requisitos de cada modalidade da bolsa escolhida, procure informações com os que já participaram. É muito importante que o futuro candidato saiba o que ele irá fazer durante a bolsa e o que pretende fazer ao retornar. Lá em Okinawa, saber um Nihongo básico é muito importante, se você não souber, estude! Mas não tenha vergonha em perguntar suas dúvidas em nihongo misturado com uchinaguchi, portunhol, etc... Uchinanchu é gente boa, ele vai fazer o possível para te entender!!!”

UP: Quais atividades o grupo desenvolve? Somente ex- bolsistas podem participar do grupo?

Carina: “Sempre que necessário o URIZUN auxilia nas atividades do Kenjinkai. Realizamos também as exposições, workshops e palestras culturais nos grandes eventos da comunidade japonesa de São Paulo. Todos com o objetivo de divulgar a rica Cultura de Okinawa e suas Bolsas de Estudos.

Em especial as Bolsas de Estudos, entre Maio e Junho de cada ano, realizamos um Encontro (Konshinkai) dos futuros Bolsistas e Ex-Bolsistas (Já estamos no IV Konshinkai).  O objetivo deste encontro é a preparação do futuro Bolsista e a resolução de qualquer dúvida, além da integração e trocas de experiências. O Konshinkai é muito importante também pois o futuro bolsista terá a possibilidade de conhecer antes as pessoas que possivelmente estarão com ele em Okinawa. Assim como o Konshinkai, o URIZUN também é aberto a todos os Jovens que possuem interesses sobre a cultura de Okinawa”.

UP: Como é a relação entre os bolsistas que retornam de Okinawa ao Brasil? Há algum tipo de encontro, reunião, além do Konshinkai?

Carina: “Sempre que há algum evento, acionamos nossos contatos e nos reunimos. Fazemos também Bounenkai ou Shinnenkai”.

UP: Quais os tipos de bolsas de estudos oferecidas pela província de Okinawa e outros órgãos (JICA, Monbushô, etc)? Fale um pouco a respeito.

Carina: “Relacionados diretamente com a província de Okinawa, temos as bolsas Kenpi - Modalidade de bolsa subsidiada pelo governo japonês através do Ministério das Relações Exteriores (Gaimusho) e do Ministério da Educação e Cultura (Monbukagakusho). A complementação do custo da bolsa é feita pelo governo da província de Okinawa, que recebe e se responsabiliza pelos bolsistas. O principal objetivo é a formação de cidadãos brasileiros que tenham condições de implantar novas raízes no desenvolvimento econômico, tecnológico e cultural do país e, consequentemente o fortalecimento dos laços de amizade entre o Brasil e Okinawa. As bolsas Kenpi são divididas em dois tipos:  Kenpi Ryugaku (relacionado a estudos em uma universidade), Kenpi Keshu (relacionado a um programa de estágio);

Intercâmbios Culturais e de Estágios - Subsidiados por cada cidade e/ou distrito de Okinawa (Shi Cho e Son).

Existe também o Junior Study Tour - um intercâmbio cultural de 2 semanas para jovens abaixo de 18 anos.

Existem também outros tipos de bolsas que não estão diretamente relacionadas à província de Okinawa, mas podem estar associadas a alguma Universidade e/ou empresa da província. Muitas destas bolsas estão abertas também a não descendentes de okinawanos. Darei exemplos de algumas, mas para maiores informações acesse: www.asebex.com.br ; www.sp.br.emb-japan.go.jp ; www.jica.org.br

-Bolsas do Ministério Japonês da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia (Monbukagakusho) é certamente uma das que tem maior abrangência de público. Todas as suas cinco opções de bolsas (Pesquisa; Graduação; Escola Técnica Superior; Treinamento de professores do Ensino Fundamental e/ou Médio e Treinamento de Língua e/ou Cultura Japonesa) são abertas tanto a descendentes quanto a não-descendentes, desde que não se tenha dupla nacionalidade japonesa.

-Bolsas da JICA (Japan International Cooperation Agency). Foi criada com o objetivo de beneficiar o desenvolvimento científico na América Latina, visando contribuir para o crescimento dos países por meio da transferência de tecnologia”.

Veja matéria completa no Jornal Utiná Press


Karina Matsumoto conta sua experiência como bolsista

Okinawa é uma das poucas províncias japonesas a oferecer vários tipos de bolsas de estudos aos descendentes de diversos países do mundo. Além da bolsa patrocinada pelo Governo da província (kenpiryuugaku), existem outras modalidades como, por exemplo, a de kenshuu (estágio técnico), oferecidos por diversos municípios okinawanos, que variam de um a seis meses, em geral.

Além da oportunidade de conhecer a terra natal de seus ancestrais, a bolsa também proporciona uma grande experiência de vida em vários sentidos.

Nesta edição, a bolsista do município de Kadena-cho, Karina Satomi Matsumoto relata em entrevista ao Jornal Utiná Press como foi sua estadia em Okinawa.

Estudante do 3º ano de Ciências Sociais da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP), esta sansei de 20 anos trancou a faculdade para estudar em Okinawa no ano de 2008.

Filha de Pedro Massaru Matsumoto e Sandra Yukie Okuhama Matsumoto, Karina possui um irmão mais novo, Paulo Eiji Matsumoto e conta que possui ascendência de quatro cidades okinawanas. “Tenho avós nascidos em Kadena, Okinawa-shi, Nishihara e Yomitan.”.

Ela foi bolsista (kenshuusei) da cidade de Kadena, entre setembro e dezembro de 2008, e ficou sabendo da bolsa de estudos através de seu avô. “Fiquei sabendo da bolsa através do meu oji, Masao Matsumoto, que juntamente com o sr. Chuken Matsudo, é responsável pelas bolsas de Kadena. O processo de seleção varia conforme o shi-chô-son (prefeituras). No caso de Kadena, de onde saíram poucos imigrantes, não havia candidatos em 2008. Eu e meu oji achamos que seria um desperdício se ninguém preenchesse a vaga oferecida pela prefeitura de Kadena. Eu pretendia ir como bolsista no futuro, mas devido às circunstâncias, resolvi trancar a faculdade e ir pra Okinawa. Infelizmente, em 2008 ainda sobrou uma vaga para um bolsista da Argentina e em 2009 sobraram as duas, do Brasil e da Argentina.”

 

Veja matéria completa no Jornal Utiná Press de Janeiro/2010

 

Por: V.S.T.

 


 

     
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